Gosto dos contornos determinados dos ramos frágeis
Traçados contra o céu luminoso e molhado
Acima dos nossos olhos sedentos de chuva.
Gosto das imagens bizarras reflectidas nas poças de água
Perfiladas aleatoriamente no chão que pisamos sem receio.
Gosto da frescura genuína das gotas de orvalho
Que escorrem apressadas pelo verde das folhas
Em manhãs de nevoeiro.
Gosto do barulho áspero das ondas
Que tentam seduzir a areia fria
Saudosa de pegadas em dias quentes de verão.
Gosto de ti e de mim
Dos nossos contornos, da nossa frescura, das nossas pegadas
Do nosso carinho imortal em dias de nevoeiro.
Regina Salgado