Não gastes as palavras
Não as amarrotes como papéis de melancolia evitada
Não as deixes verter dos teus lábios como lágrimas furiosas
Guarda-as no teu olhar e nas pontas dos teus dedos
Preserva-as como folhas secas nas páginas de um livro
Profere-as devagar, sílaba a sílaba, como se tirassem voz à tua alma
Profere-as com deleite, saboreia o que elas (não) significam
Profere-as sem pressa, sem tremeres a voz
Profere-as porque tens o corpo paralisado para com ele poderes falar.
Regina Salgado
